Sob as bolas afogadoras de contrastes à mesa dos copos que traem, vejo um vulto quase comestível. Uma cortina ácida do mel guardado há tempos na fibra de sua lona, balança, equilibrando a ilusão que assola. Feito pomada pra acne, que promete e vai embora com a fronha durante a noite, aquela cortina doente assume o compromisso de não me mostrar lá fora – mas se abre, jurando ser abraço, afago e consideração. Não acredito mais.
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(continua? -
quem continua?)
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2 comentários:
O dia, momento em que sou inútil, acéfalo e assalariado, ela esfrega na minha cara. E a noite, quando ela devia ficar aberta para me mostrar estrelas cadentes, mais decadentes que eu, ela se fecha. Não se abre mais até que o sol nasça e esconda meu planeta pascoal. Mas durante a noite, ela serpenteia e ondula, deixando o vento soprar para me provocar, alimentar minha demência e violência. Mais uma vez esse rolo de fios desenrolado e tricotado joga na minha cara minha covardia.
É por isso que à noite eu me escondo em poros infeccionados, que não despertam senão a bondade das mães. Vejo, sinceramente, que a janela entende o desespero em mim. E se aproveita disso em complô com o céu. Fragmenta calmantes em ondas que se iludem serem intempéries e me descalça em vestígios. Fico nu frente à vida social ardilosa do sono que não vem.
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