terça-feira, 7 de outubro de 2008

O homem que se chamava Vidro

Ele não sabia. Era convicto, forte, belo... Independente. Quando criança tinha uma mania estranha: Vidro gostava de pregar pregos. Assim tinha idéias. Todos os dias pegava seu martelo, pedaços de metal enferrujado e um pedaço da vítima. Carregava-os como um empresário carrega o segundo cérebro ao escritório. O destino era o mesmo. Uma casa velha no fundo do quintal, de tinta comida e madeira podre era sua companhia, sentava-se bem em frente a ela, sozinho. Sim! Sabia que não era igual aos outros. Não era deficiente físico, nem alto, nem retardado, era pior! Inventor. Evitado e mal entendido, praticar atos insanos tornou-se tarefa solitária. Era uma sensação estranha. A cada batida sentia a frágil solidez da madeira ceder, perdia-se. Passou grande parte de sua infância entorpecido nessa tarefa. O dia em que Vidro não martelou, cresceu. Homem feito, bem sucedido... Jovem. Agora ainda tem mania estranha. Agora Vidro brinca, de corromper pessoas.