quarta-feira, 8 de outubro de 2008

RUA

Rua, infeliz. Não diz nada e não vai a lugar nenhum.
Nua, caminha andarilha. Pobre, aos farrapos, tem postura de madame.
Pisada como sempre e como nunca, é usada e descartada como nada.
Como lixo. Coma lixo!
Pensa ter dinheiro (ou espera que os outros pensem). É ofuscada pela luz alheia.
À noite, quando lava a maquiagem e despensa pompas, seus amantes Postes, lhe fazem cenário à suas orgias e pagam com resquícios de luz amarelo-acinzentada.
Um trocado, uma moeda.
Coitada da Rua.
Puta, corrompida, usada, maltratada, mal lavada.
Puta mal paga.
O Mal paga, mas sabe que sua vida sempre será assim.
A ti só sobra pena. A minha e das pessoas que lhe julgam e vão lhe condenar.
Sim... As pessoas vão lhe condenar por este ser repulsivo que és.
Sob um breve suspiro e tentando sua defesa, Rua diz:
- Mudarei de nome e tentarei ser digna.
Mal sabe! A pobre continuará sendo a mesma:
Rua.

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