quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vontade imensa de escrever,
Faltam assuntos, conteúdo, inspiração.
Falta uma musa, uma razão.
Escreve sem nada pra dizer e transforma palavra em ausência...
Um poema pra falar de nada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Uma tal de certa briga
Põe a vida abaixo em um câncer
Sem pontuação nenhuma
Também pudera, pois nem precisava
Trinta e nove dias de guerra
Depois da morte do ponto
Aponta para a ponta
Um suspiro e a calma.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Perdida, mas isso não significa que ela perdeu...

Ela andava sozinha
Calada, convencendo a lua...
O salto abordava o silêncio
Rumo ao amanha infinito.

A mão serpenteava ao lado do corpo
O cabelo roçava o meio das costas nuas
Os seios eriçados de frio, de desejo...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

(Eu continuo)
.
..
- Você é minha vida! - Diz ele.
No ponto crucial de uma existência - quando a existência é pela qual resumida a presença do outro - me ocorre a pergunta derradeira: "Conseguirei, eu, não ser a vida alheia?"
O fato de acreditar, está tão bifurcado quanto a minha decisão. Se não acredito, talvez continue sendo o desejo deste que me faz descrente. Se acredito, trago de volta o poder de ter minha vida ao meu alcance.
O que me faz duvidar talvez seja a dor. O medo do desprendimento. Talvez seja como um parto trazendo consigo um sofrimento insuportável - que tive tanto medo que não me dei ao luxo de sentir e talvez hoje fosse mais forte - e quando nasce, apesar dos contratempos, a única lembrança é a alegria. Talvez seja pior, pois o tempo que traz a alegria seja mais longo. Ou pior ainda seja o pensamento duvidoso, que me faz continuar descrente neste ciclo obsessivo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Fragmento I

Sob as bolas afogadoras de contrastes à mesa dos copos que traem, vejo um vulto quase comestível. Uma cortina ácida do mel guardado há tempos na fibra de sua lona, balança, equilibrando a ilusão que assola. Feito pomada pra acne, que promete e vai embora com a fronha durante a noite, aquela cortina doente assume o compromisso de não me mostrar lá fora – mas se abre, jurando ser abraço, afago e consideração. Não acredito mais.
.
.
(continua? -
quem continua?)
.
.
.
Da janela vejo parede

tenho medo de olhar pra frente.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Da janela

não era errado
figurar no macarrão

ao fundo,
dois meninos atiçam
a
mesma
bicicleta

os gravetos
no
aro da frente
batendo – volta e fica
- uivam suas
bocas
contra
o
alumínio