segunda-feira, 19 de março de 2012

entropia

o dia do baque
que tudo sempre, sempre tende à desorganização
estou na linha de partida
e já há poeira em meu fraque.

- cansaço.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Problemática

A vida são anos de problemática
O amadurecer, o aprendizado, a assimilação
O limpar a cara e seguir
De um tropeço à erro de gramática
Pra tudo há solução

O melhor é saber o que nos resta
Ou o que falta
Franzir o cenho e analisar cada peça
Ser egoísta
Que amigos, encontram-se vários
E nenhum deve agradar tanto
Quanto nós a nós mesmos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Frestinha

As vezes as coisas que nos cercam exercem uma influência tão grande e não sabemos nem o motivo. Assim foi com a minha leitura de hoje... não preciso falar mais nada, o poema fala por si só. Faço muita questão de postá-lo, pois é de uma artista local, chamada Ryana Gabech. Penso que os bons devem ser valorizados, independente de onde sejam, por que santo de casa.. faz milagre, sim.

A voz na porta - Ryana Gabech (do livro "Trêmulo")

você deixou aquela voz
trancada na porta

não posso mais abrir
não posso mais sair

a minha garganta fincada
na tua tranca

não posso abrir a porta

você trancou a nossa sala
nossos objetos
delitos
e perdas
marcadas no meu olhar

não posso abrir a tranca

a nossa voz
tantas vezes uma
tantas vezes mais de duas

a nossa voz ficou no

Vã o

de uma passagem

passou por você também?

a nossa voz

ficou presa na saída

sábado, 1 de agosto de 2009

Hoje finalmente criei coragem e decidi pela máxima de um nada, falar do dia em que o amor acaba.

É, o amor acaba... o coração morre... e sobra apenas um vazio... OCO... Chama Mediastino Médio, sabia?
Antigamente era um lugar. Tal como Nokey Place, um lar. Uma casa com quatro quartos e somente quartos.
Dizem que “quatro quartos” é o que faz um “inteiro”. Então digo de boca cheia: “Era completo”
Havia um grande fluxo de sangue. Sim, muitas pessoas e todas sem rumo. A casa (*que aqui chamo de amor ou coração, se preferir*) simplesmente esqueceu suas funções e em vez de direcionar as pessoas para onde deviam seguir, começou a ficar egoísta e querer manter o sangue preso. Porém as pessoas têm que circular. Um quis seguir seu caminho daqui, outro dali, o coração se sentiu traído e esqueceu de respirar. Num momento de besteira fechou as portas e trancou pra dentro, quem estava dentro e para fora, quem estava fora. As pessoas morrem de tristeza, e o coração... de gangrena.
O mediastino, coitado, ficou lá vazio. Só mais um buraco. Quem passa e olha sente medo, e eu... medo de abandonar a casa que já não existe mais. Eles dizem – “Amo esse lugar, é irado! Mas não consigo dormir aqui, pois me da medo.” – Sei bem qual é esse medo. É o mesmo que a gente tem de dormir sozinho quando é criança.
Uma pessoa chamada “Pedro” (como poderia se chamar “João” ou “Fernando”) me disse – “Você não tem mais coração. Deixou-o pra trás naquela tua “outra vida””. E não é que era verdade?
Quando ele, o coração, trancou as portas e esqueceu de respirar, ficou com a pressão baixa e desmaiou no meio da rua se deixando atropelar. Lá ficou, pois eu não voltei para buscá-lo. Fiquei com medo (e muito!) de vê-lo desfigurado, porque também sou como as outras pessoas e morri de tristeza. Talvez triste e covarde demais para poder encará-lo e me despedir.
Drama queen de marca maior, chorei os 7 oceanos, todos os mares, as bacias, rios, lagos e lagoas e todos os afluentes. Chorei a Terra, pois me perdi no mediastino, sem saber aonde ir. Sozinha, quase autista com a minha dor, corroída pela culpa de não tê-lo resgatado no primeiro momento. Aquela criança que apronta e não sabe como limpar a sua sujeira. Neste tempo todo, enclausurada num mundo paralelo, esquecia de olhar as pessoas perdidas que por ali passavam. Foi quando esse sujeito de nome simples sentou ao meu lado, me resgatando da minha fortaleza mental, mostrando o quanto era pior ficar ali sozinha no frio. Ali chorei a tristeza dele, também e foi tão triste quanto a minha.
Continuo com medo de resgatar esse amor desfigurado. Como poderia, se sempre olhei para ele como o amor mais bonito do mundo? Cheguei a chamá-lo de Enzo, pois o amor mais bonito do mundo merecia o nome mais bonito do mundo. Só que a beleza é tão subjetiva quando quem a vê.
Pensei em convidar o sujeito de nome simples para ir comigo até aquela outra esquina resgatar meu coração. Mas ainda tenho medo de vê-lo. Medo que ele me diga que eu, mais que todas as outras pessoas, o traí e por isso, não me ama mais como antes.
Quando rever o amor, o chamarei de Deus Shiva e as lágrimas de hoje até parece estar mais quentes.
No fim de tudo, talvez o amor não tenha morrido. No dia do atropelamento, veio a súbita era do gelo e ele, lá ficou estagnado. Agora quem sabe, apenas duas andorinhas possam resgatar o verão, e por que não?
Quando desculpei o coração burro e egoísta e resolvi resgatá-lo, dei de cara com a minha culpa e só me resta me desculpar perante ele, re-conhecê-lo como um novo amor, que talvez chame Fênix, amá-lo tanto quanto ele merece (e não é pouco) e ainda digo mais: Aceitá-lo exatamente como ele se apresenta (me amando tanto ou não).
A casa vai ser reconstruída, ali mesmo no Mediastino Médio e espero não esquecer nunca mais da sua função de GUIA, deixando as pessoas entrar e sair conforme se fizer seus destinos.
É engraçado como esse “Pedro” conheceu sem querer, a pior parte de mim (a que faço questão de esconder) e de certa forma tomou conta dela. Espero que um dia possa conhecer a melhor.
Agora penso que o amor não acaba de verdade, apenas se transforma, mais ou menos machucado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vontade imensa de escrever,
Faltam assuntos, conteúdo, inspiração.
Falta uma musa, uma razão.
Escreve sem nada pra dizer e transforma palavra em ausência...
Um poema pra falar de nada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Uma tal de certa briga
Põe a vida abaixo em um câncer
Sem pontuação nenhuma
Também pudera, pois nem precisava
Trinta e nove dias de guerra
Depois da morte do ponto
Aponta para a ponta
Um suspiro e a calma.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Perdida, mas isso não significa que ela perdeu...

Ela andava sozinha
Calada, convencendo a lua...
O salto abordava o silêncio
Rumo ao amanha infinito.

A mão serpenteava ao lado do corpo
O cabelo roçava o meio das costas nuas
Os seios eriçados de frio, de desejo...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

(Eu continuo)
.
..
- Você é minha vida! - Diz ele.
No ponto crucial de uma existência - quando a existência é pela qual resumida a presença do outro - me ocorre a pergunta derradeira: "Conseguirei, eu, não ser a vida alheia?"
O fato de acreditar, está tão bifurcado quanto a minha decisão. Se não acredito, talvez continue sendo o desejo deste que me faz descrente. Se acredito, trago de volta o poder de ter minha vida ao meu alcance.
O que me faz duvidar talvez seja a dor. O medo do desprendimento. Talvez seja como um parto trazendo consigo um sofrimento insuportável - que tive tanto medo que não me dei ao luxo de sentir e talvez hoje fosse mais forte - e quando nasce, apesar dos contratempos, a única lembrança é a alegria. Talvez seja pior, pois o tempo que traz a alegria seja mais longo. Ou pior ainda seja o pensamento duvidoso, que me faz continuar descrente neste ciclo obsessivo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Fragmento I

Sob as bolas afogadoras de contrastes à mesa dos copos que traem, vejo um vulto quase comestível. Uma cortina ácida do mel guardado há tempos na fibra de sua lona, balança, equilibrando a ilusão que assola. Feito pomada pra acne, que promete e vai embora com a fronha durante a noite, aquela cortina doente assume o compromisso de não me mostrar lá fora – mas se abre, jurando ser abraço, afago e consideração. Não acredito mais.
.
.
(continua? -
quem continua?)
.
.
.
Da janela vejo parede

tenho medo de olhar pra frente.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Da janela

não era errado
figurar no macarrão

ao fundo,
dois meninos atiçam
a
mesma
bicicleta

os gravetos
no
aro da frente
batendo – volta e fica
- uivam suas
bocas
contra
o
alumínio
Onde estaria Rhay

com seu coração

mesclando "acredito"?

Já devias ter retornado

das profundezas dos pensamentos

portando algumas letras.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Desatrofiando amor

É que hoje
a faca escorregou da batata
Meu dedo dilacerado me deu um susto daqueles...
E eu quase morri!
pensando que fosse você.

Comendo tais

Vestígios nem sempre são suficiente. Entendam, não sou de todo poliglota. Mas tenho desconjuntura.
Sim, poderia te dar motivos pra não levar a sua sandália quebrada ao litoral, Rá. Mas não, não posso consertá-la pra ti. E saiba. Meu salto também quebrou.
Quanto à Pati... é um tiro no peito! Daqueles que rasgam a carne em câmera lenta. E por fim se aloja num canto, que volta e meia agente pensa: "Que sorte a minha ser vítima fatal".
Ainda tenho Rhayana. Que na verdade não se pode ter, mas pode pensar. Penso em linda flor. Carnívora! Amo quando se aborrece. E volta estraçalhando o mundo que te aborrece. É como ácido. Jorrado lá dentro da pupila.
Pati disse seus motivos de 'Desconjuntura' e 'Poliglota'. Pois digo os meus em 'Comendo'. Tentei, juro que tentei achar graça. Mas o mais perto que cheguei, foi do amargo do tempo. Sinto muito, garotas... ainda não consegui me satisfazer com a idéia de que, talvez, seja só lembrança.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pensando sobre tais

Sabe, acho graça quando acontece de abrir a janela e ver a chuva.
Porque, acontece que aqui não chove. É morno, sem graça e sem vontade. Talvez até hilário.
Parece que a Terra - e não a terra - castiga quem não tem perspectiva. E sobre isso:
"Me dê uma perspectiva! - Diz ela - Uma perspectiva que valha a pena pra não ter que morar no litoral de Santa Catarina".
Penso sim, no veneno que corrói as conexões neurais. Se assim se pode chamar.
E por quê? Ao pensar no neural, pensamos em um mundo quase paralelo que permeia nossa "vista panorâmica" da realidade.
Porém, por que não pensar nas várias faces que cercam aqueles que nos apetecem? As vezes pegamos emprestado vestígios que talvez nos dêem uma perspectiva diferente.
Eliana que me diga...
Talvez... Ainda TALVEZ!
A melhor perspectiva seja olhar o que o corpo fala e deseja. Pra assim acalmar o desejo da alma e fazê-la não avançar, nem tão voraz, nem tão sem fome: de vida.
E aqui, ninguém melhor que Rhayana pra dizer.
Mas pensei, porquê não perguntar a ti, Patrícia?
Com as frases densas e entrelaçadas, mas tão, tão bem escritas, que acompanham - e ao mesmo tempo NãO! - o teu pensamento. Tem tanta coisa pra passar e um pedaço de tempo/espaço tão pequeno que nem cabe na mão e que as vezes me dá pena. Lembra de mim mesmo tentanto desenterrar tudo o que não quero que morra no vazio. Tudo o que ACREDITO e que de certa forma, quando falta a opinião do corpo, parece que vai afundar com a sua ausência.
Além do "Oi, meninas - faz tempo mesmo!", pergunto as três: "Onde está a perspectiva? - Pois pra mim estamos tão juntas."
_______________________________________
Acrescento em uma nota de rodapé que a saudade existe e é para mim, no mínimo, alegre por ter vocês tão juntas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sobre tais

Escrevi ‘desconjuntura’ por causa da dor nas costas. E ela existe. Não tanto quanto já, mais sombria agora que estou desempregada. Desde que inserida, a palma pôde só com menos de três quilos.

Que a Eliana deixa vestígios, destes que apetecem -
À Rhayana, pesa um alfinete feito dor que vem do tombo de um objeto qualquer no dedo pequeno do pé (e a gente lembra que ele existe),
a Ra, um depósito de veneno fecunda as ligações neurais, sabe...
que medo que dá, escrever ‘neurais’.
- Belisco pra dizer um ‘oi, meninas – há tanto tempo!’.

O Adalberto morreu faz dois anos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Labuta



A vida padece de pensamentos duros e moles, os quais sempre pegam em nossos pés até nos colocarem em um tijolo de cimento maciço. A partir daí temos duas saídas:
Ou arrumamos algum tipo de martelo e nos colocamos a trabalhar;
Ou nos afundamos num mar negro de pessimismo e infelicidade.


R.L.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Depressão = Fossa

Essa vida chateia,
enche o saco...
Passa tempo, passa vontade,
joga tudo fora e dorme,
dorme infinito, até o cu fazer bico,
e acorda pra vida!!!

sábado, 18 de outubro de 2008

Buraco de minhoca

O melhor que se pôde encontrar foi uma partícula de terra.
Habitada por um zunido solitário,
abaixo de 10Hz penetra o tímpano...

É possível sentir o cheiro do braço materno.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

E se antes...
Eu não quis acreditar, não chorei tanto e ainda não tinha pensado.
E se antes...
Minhas lagrimas lavam o chão, não consigo sorrir, não consigo dormir e não me engano.
E se antes...
Antes por sinal... Antes eu tentava.
Se antes eu conseguia dormir...
E se antes realidade?
Antigamente realidade? Reaigamente Antilidade.

Acorda
de repente
e frente a frente
com o passado se depara.
O gosto, o gozo e nunca.

Nunca vai ser fácil.

A dor
cai na vida
e na morte
a palavra como esquecimento.
Partir, aderir e surgir.

A vontade fica.