sábado, 1 de agosto de 2009

Hoje finalmente criei coragem e decidi pela máxima de um nada, falar do dia em que o amor acaba.

É, o amor acaba... o coração morre... e sobra apenas um vazio... OCO... Chama Mediastino Médio, sabia?
Antigamente era um lugar. Tal como Nokey Place, um lar. Uma casa com quatro quartos e somente quartos.
Dizem que “quatro quartos” é o que faz um “inteiro”. Então digo de boca cheia: “Era completo”
Havia um grande fluxo de sangue. Sim, muitas pessoas e todas sem rumo. A casa (*que aqui chamo de amor ou coração, se preferir*) simplesmente esqueceu suas funções e em vez de direcionar as pessoas para onde deviam seguir, começou a ficar egoísta e querer manter o sangue preso. Porém as pessoas têm que circular. Um quis seguir seu caminho daqui, outro dali, o coração se sentiu traído e esqueceu de respirar. Num momento de besteira fechou as portas e trancou pra dentro, quem estava dentro e para fora, quem estava fora. As pessoas morrem de tristeza, e o coração... de gangrena.
O mediastino, coitado, ficou lá vazio. Só mais um buraco. Quem passa e olha sente medo, e eu... medo de abandonar a casa que já não existe mais. Eles dizem – “Amo esse lugar, é irado! Mas não consigo dormir aqui, pois me da medo.” – Sei bem qual é esse medo. É o mesmo que a gente tem de dormir sozinho quando é criança.
Uma pessoa chamada “Pedro” (como poderia se chamar “João” ou “Fernando”) me disse – “Você não tem mais coração. Deixou-o pra trás naquela tua “outra vida””. E não é que era verdade?
Quando ele, o coração, trancou as portas e esqueceu de respirar, ficou com a pressão baixa e desmaiou no meio da rua se deixando atropelar. Lá ficou, pois eu não voltei para buscá-lo. Fiquei com medo (e muito!) de vê-lo desfigurado, porque também sou como as outras pessoas e morri de tristeza. Talvez triste e covarde demais para poder encará-lo e me despedir.
Drama queen de marca maior, chorei os 7 oceanos, todos os mares, as bacias, rios, lagos e lagoas e todos os afluentes. Chorei a Terra, pois me perdi no mediastino, sem saber aonde ir. Sozinha, quase autista com a minha dor, corroída pela culpa de não tê-lo resgatado no primeiro momento. Aquela criança que apronta e não sabe como limpar a sua sujeira. Neste tempo todo, enclausurada num mundo paralelo, esquecia de olhar as pessoas perdidas que por ali passavam. Foi quando esse sujeito de nome simples sentou ao meu lado, me resgatando da minha fortaleza mental, mostrando o quanto era pior ficar ali sozinha no frio. Ali chorei a tristeza dele, também e foi tão triste quanto a minha.
Continuo com medo de resgatar esse amor desfigurado. Como poderia, se sempre olhei para ele como o amor mais bonito do mundo? Cheguei a chamá-lo de Enzo, pois o amor mais bonito do mundo merecia o nome mais bonito do mundo. Só que a beleza é tão subjetiva quando quem a vê.
Pensei em convidar o sujeito de nome simples para ir comigo até aquela outra esquina resgatar meu coração. Mas ainda tenho medo de vê-lo. Medo que ele me diga que eu, mais que todas as outras pessoas, o traí e por isso, não me ama mais como antes.
Quando rever o amor, o chamarei de Deus Shiva e as lágrimas de hoje até parece estar mais quentes.
No fim de tudo, talvez o amor não tenha morrido. No dia do atropelamento, veio a súbita era do gelo e ele, lá ficou estagnado. Agora quem sabe, apenas duas andorinhas possam resgatar o verão, e por que não?
Quando desculpei o coração burro e egoísta e resolvi resgatá-lo, dei de cara com a minha culpa e só me resta me desculpar perante ele, re-conhecê-lo como um novo amor, que talvez chame Fênix, amá-lo tanto quanto ele merece (e não é pouco) e ainda digo mais: Aceitá-lo exatamente como ele se apresenta (me amando tanto ou não).
A casa vai ser reconstruída, ali mesmo no Mediastino Médio e espero não esquecer nunca mais da sua função de GUIA, deixando as pessoas entrar e sair conforme se fizer seus destinos.
É engraçado como esse “Pedro” conheceu sem querer, a pior parte de mim (a que faço questão de esconder) e de certa forma tomou conta dela. Espero que um dia possa conhecer a melhor.
Agora penso que o amor não acaba de verdade, apenas se transforma, mais ou menos machucado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vontade imensa de escrever,
Faltam assuntos, conteúdo, inspiração.
Falta uma musa, uma razão.
Escreve sem nada pra dizer e transforma palavra em ausência...
Um poema pra falar de nada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Uma tal de certa briga
Põe a vida abaixo em um câncer
Sem pontuação nenhuma
Também pudera, pois nem precisava
Trinta e nove dias de guerra
Depois da morte do ponto
Aponta para a ponta
Um suspiro e a calma.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Perdida, mas isso não significa que ela perdeu...

Ela andava sozinha
Calada, convencendo a lua...
O salto abordava o silêncio
Rumo ao amanha infinito.

A mão serpenteava ao lado do corpo
O cabelo roçava o meio das costas nuas
Os seios eriçados de frio, de desejo...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

(Eu continuo)
.
..
- Você é minha vida! - Diz ele.
No ponto crucial de uma existência - quando a existência é pela qual resumida a presença do outro - me ocorre a pergunta derradeira: "Conseguirei, eu, não ser a vida alheia?"
O fato de acreditar, está tão bifurcado quanto a minha decisão. Se não acredito, talvez continue sendo o desejo deste que me faz descrente. Se acredito, trago de volta o poder de ter minha vida ao meu alcance.
O que me faz duvidar talvez seja a dor. O medo do desprendimento. Talvez seja como um parto trazendo consigo um sofrimento insuportável - que tive tanto medo que não me dei ao luxo de sentir e talvez hoje fosse mais forte - e quando nasce, apesar dos contratempos, a única lembrança é a alegria. Talvez seja pior, pois o tempo que traz a alegria seja mais longo. Ou pior ainda seja o pensamento duvidoso, que me faz continuar descrente neste ciclo obsessivo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Fragmento I

Sob as bolas afogadoras de contrastes à mesa dos copos que traem, vejo um vulto quase comestível. Uma cortina ácida do mel guardado há tempos na fibra de sua lona, balança, equilibrando a ilusão que assola. Feito pomada pra acne, que promete e vai embora com a fronha durante a noite, aquela cortina doente assume o compromisso de não me mostrar lá fora – mas se abre, jurando ser abraço, afago e consideração. Não acredito mais.
.
.
(continua? -
quem continua?)
.
.
.
Da janela vejo parede

tenho medo de olhar pra frente.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Da janela

não era errado
figurar no macarrão

ao fundo,
dois meninos atiçam
a
mesma
bicicleta

os gravetos
no
aro da frente
batendo – volta e fica
- uivam suas
bocas
contra
o
alumínio
Onde estaria Rhay

com seu coração

mesclando "acredito"?

Já devias ter retornado

das profundezas dos pensamentos

portando algumas letras.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Desatrofiando amor

É que hoje
a faca escorregou da batata
Meu dedo dilacerado me deu um susto daqueles...
E eu quase morri!
pensando que fosse você.

Comendo tais

Vestígios nem sempre são suficiente. Entendam, não sou de todo poliglota. Mas tenho desconjuntura.
Sim, poderia te dar motivos pra não levar a sua sandália quebrada ao litoral, Rá. Mas não, não posso consertá-la pra ti. E saiba. Meu salto também quebrou.
Quanto à Pati... é um tiro no peito! Daqueles que rasgam a carne em câmera lenta. E por fim se aloja num canto, que volta e meia agente pensa: "Que sorte a minha ser vítima fatal".
Ainda tenho Rhayana. Que na verdade não se pode ter, mas pode pensar. Penso em linda flor. Carnívora! Amo quando se aborrece. E volta estraçalhando o mundo que te aborrece. É como ácido. Jorrado lá dentro da pupila.
Pati disse seus motivos de 'Desconjuntura' e 'Poliglota'. Pois digo os meus em 'Comendo'. Tentei, juro que tentei achar graça. Mas o mais perto que cheguei, foi do amargo do tempo. Sinto muito, garotas... ainda não consegui me satisfazer com a idéia de que, talvez, seja só lembrança.