Hoje finalmente criei coragem e decidi pela máxima de um nada, falar do dia em que o amor acaba.
É, o amor acaba... o coração morre... e sobra apenas um vazio... OCO... Chama Mediastino Médio, sabia?
Antigamente era um lugar. Tal como Nokey Place, um lar. Uma casa com quatro quartos e somente quartos.
Dizem que “quatro quartos” é o que faz um “inteiro”. Então digo de boca cheia: “Era completo”
Havia um grande fluxo de sangue. Sim, muitas pessoas e todas sem rumo. A casa (*que aqui chamo de amor ou coração, se preferir*) simplesmente esqueceu suas funções e em vez de direcionar as pessoas para onde deviam seguir, começou a ficar egoísta e querer manter o sangue preso. Porém as pessoas têm que circular. Um quis seguir seu caminho daqui, outro dali, o coração se sentiu traído e esqueceu de respirar. Num momento de besteira fechou as portas e trancou pra dentro, quem estava dentro e para fora, quem estava fora. As pessoas morrem de tristeza, e o coração... de gangrena.
O mediastino, coitado, ficou lá vazio. Só mais um buraco. Quem passa e olha sente medo, e eu... medo de abandonar a casa que já não existe mais. Eles dizem – “Amo esse lugar, é irado! Mas não consigo dormir aqui, pois me da medo.” – Sei bem qual é esse medo. É o mesmo que a gente tem de dormir sozinho quando é criança.
Uma pessoa chamada “Pedro” (como poderia se chamar “João” ou “Fernando”) me disse – “Você não tem mais coração. Deixou-o pra trás naquela tua “outra vida””. E não é que era verdade?
Quando ele, o coração, trancou as portas e esqueceu de respirar, ficou com a pressão baixa e desmaiou no meio da rua se deixando atropelar. Lá ficou, pois eu não voltei para buscá-lo. Fiquei com medo (e muito!) de vê-lo desfigurado, porque também sou como as outras pessoas e morri de tristeza. Talvez triste e covarde demais para poder encará-lo e me despedir.
Drama queen de marca maior, chorei os 7 oceanos, todos os mares, as bacias, rios, lagos e lagoas e todos os afluentes. Chorei a Terra, pois me perdi no mediastino, sem saber aonde ir. Sozinha, quase autista com a minha dor, corroída pela culpa de não tê-lo resgatado no primeiro momento. Aquela criança que apronta e não sabe como limpar a sua sujeira. Neste tempo todo, enclausurada num mundo paralelo, esquecia de olhar as pessoas perdidas que por ali passavam. Foi quando esse sujeito de nome simples sentou ao meu lado, me resgatando da minha fortaleza mental, mostrando o quanto era pior ficar ali sozinha no frio. Ali chorei a tristeza dele, também e foi tão triste quanto a minha.
Continuo com medo de resgatar esse amor desfigurado. Como poderia, se sempre olhei para ele como o amor mais bonito do mundo? Cheguei a chamá-lo de Enzo, pois o amor mais bonito do mundo merecia o nome mais bonito do mundo. Só que a beleza é tão subjetiva quando quem a vê.
Pensei em convidar o sujeito de nome simples para ir comigo até aquela outra esquina resgatar meu coração. Mas ainda tenho medo de vê-lo. Medo que ele me diga que eu, mais que todas as outras pessoas, o traí e por isso, não me ama mais como antes.
Quando rever o amor, o chamarei de Deus Shiva e as lágrimas de hoje até parece estar mais quentes.
No fim de tudo, talvez o amor não tenha morrido. No dia do atropelamento, veio a súbita era do gelo e ele, lá ficou estagnado. Agora quem sabe, apenas duas andorinhas possam resgatar o verão, e por que não?
Quando desculpei o coração burro e egoísta e resolvi resgatá-lo, dei de cara com a minha culpa e só me resta me desculpar perante ele, re-conhecê-lo como um novo amor, que talvez chame Fênix, amá-lo tanto quanto ele merece (e não é pouco) e ainda digo mais: Aceitá-lo exatamente como ele se apresenta (me amando tanto ou não).
A casa vai ser reconstruída, ali mesmo no Mediastino Médio e espero não esquecer nunca mais da sua função de GUIA, deixando as pessoas entrar e sair conforme se fizer seus destinos.
É engraçado como esse “Pedro” conheceu sem querer, a pior parte de mim (a que faço questão de esconder) e de certa forma tomou conta dela. Espero que um dia possa conhecer a melhor.
Agora penso que o amor não acaba de verdade, apenas se transforma, mais ou menos machucado.